terça-feira, 1 de maio de 2012

Antídoto

   Felicidade era coisa que podia virar remédio, vendido em farmácia, de preferência sem receita médica e tomado três vezes ao dia. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Mais próxima dos mortais


Esses dias me perguntaram ingenuamente se eu já tinha cultivado algum inimigo na vida. Como quase nunca nego respostas, respondi: que sim e que muitos. O que de certa maneira despertou surpresa (afinal não tenho nem tenho tanta vida assim) e, antes que surgisse a curiosidade de saber de quem se tratavam os tais oponentes, já fui logo falando: - Meus pensamentos, ora! Eles nunca concordam comigo, mas estão sempre por perto, agarrados ao teto, ou espalhados pelo chão, esperando para me devorar, com tanta força que nem penso em conte-los. 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Conforto

           
         Quando o desespero insiste em me atormentar, lá vou eu perturbar Clarice nas madrugadas em busca de conforto, afinal já a tenho como alguém da família, uma amiga, ou quem sabe como uma avó (mas é claro, que as minhas três verdadeiras não precisam exalar ciúme, tenho carinho suficiente para todas). Afinal de contas eu e a ucraniana somos tão parecidas, que como ela mesma diz: a gente escreve como quem ama.
        Esses dias devorando seus escritos encontrei um incentivo que faltava sossegar um pouco a cabeça, organizar as idéias trituradas dentro de um coração cheio de desgosto e mágoas. Ela explicou que ‘a felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre’. Depois desse alento, rezo para que a poeta tenha mais uma vez razão e tudo se molde para melhor.