domingo, 27 de fevereiro de 2011

Doce passado


Felizes eram os tempos da vovó, onde as senhas eram quase inexistentes, as pessoas não ficavam sem carga no celular, tinham bobes e por esse motivo não precisavam de secadores, e procedimentos milagrosos, as roupas eram feitas sob medida, quase que exclusivas, os jovens se apegavam aos livros para adiantar o passar do tempo, e como não havia TV em casa as crianças - numerosas - tinham mais tempo com os pais. Não havia downloads, as musicas estavam todas nos discos, e tinham de certa forma, bem mais conteúdo que os sucessos atuais. As fotos eram poucas, tiradas vez ou nunca, mais sempre a cargo de pura recordação. Os alimentos eram frescos, não haviam congelados, conservantes. As meninas deixavam o lenço ir ao chão em sinal de interesse, e os rapazes cantavam nas janelas. Os objetos duravam quase uma vida. Os pisos eram de madeira, e os brinquedos feitos de quase tudo. As pessoas recebiam carta, em vez de email. A cura era obtida através daquele chá de gosto amargo, ou quem sabe pelo poder de uma promessa ao santo. As flores na mesa da sala eram naturais. Os cartazes feitos a mão. As colhes de pau. Os palhaços mais cheios de graça. E quem sabe, as pessoas, de mais felicidade.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Meus postulados


Bem aventurados os escritores e poetas. Eu? Não sou nem uma coisa, nem muito mesmo outra [ por mais que tente, que digam ] não tenho manuscritos, pensamentos estampados em pedaços de papel, mesmo assim deles acabei herdando coisas. Por exemplo, exigir que nenhuma pena se mova num momento de criação, questionar as velhas razões, as coisas sem razão e assim por diante. Ler cada letra em tom alto e em ambiente solitário, para que minha mente escute, interprete, exponha suas opiniões e não deixe todo o trabalho para o meu coração. Gosto de escrever em frente à tela, mesmo que fria, diante dela as idéias fluem de maneira quase que descontrolável, e ver tudo que criei padronizado, diferente da desorganização que tenho a punho, promove alem do conforto visual, uma certa segurança que não sei explicar. Minha poesia é imaginária, não posso guardada-la, ou quem sabe ela nem existe, como eu mesma – em certas horas de silêncio.

Escrevo usufruindo parcialmente de meus sentidos, consumindo aquela mentalidade mediana -como qualquer jovem daqueles dias - um tanto perturbadora, que persiste em abominar o determinado, e inventar do existir um passeio sem destino e sem fim.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Confissões de Clarice


Ouvindo falar da minha nova condição, Clarice, veio me procurar com umas histórias de confissões. Não gosto muito dessas desinências, nem de tal condição em si, mas pelo o carinho e por gostar tanto de suas palavras, abri a porta de casa. Ela recusou água, café ou qualquer chá, tinha pressa de falar. Contou dos seus amigos de escola, dos carnavais de sua infância e do encantamento que cultivava pelas as fantasias de papel-crepom que imitavam pétalas, do cuidado para não rasgar o papel e de como todos aqueles preparativos a deixavam tonta de felicidade. De como o mundo parecia chato e ela tinha a certeza que não era. Daqueles passeios pela avenida da praia, olhares e passos distraídos entre edifícios, mar e pessoa, sem centralizar seus pensamentos a um só ponto. Do episodio da menina ruiva com soluço. Da suas analises matinais sobre os ovos [perdidos] que estalam na frigideira, e como eles afundam no sonho, durante a preparação do café da manhã. De seus furtos de rosas quando pequena. Das ruas do Recife. Da imagem esverdeada da infância, a qual, cultivara por Ofélia e seus pais. Do fato de contar e esquecer. Das poeiras ensolaradas do domingo. Da sua procura pelo o destino. Dos almoços de obrigação promovidos aos sábados. De sua criada Eremita e de sua forma de beleza subjetiva, viva em suas unhas e dentes, na sua serenidade de roubar de leve. De sua relação com o mar. Das suas queixas de baratas. Dos perfumes discretos demais. Do seu exercício de escrever, para divertir-se[ ...]e antes que eu a cobrisse de perguntas e sorrisos e ela levantou-se, agradeceu a atenção e caminhou a ate a porta, atentando para o andar da hora – e parecendo um sonho, ela dobrou a esquina e nunca mais soube noticias dela, sem permitir-me descobrir nem metade das profundezas de sua alma.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Botica


Ando aprendendo umas formulas mágicas, receitas, remédios, que dizem ser bom pra mente, pro coração. Uma coleção de palpites sobre a vida alheia, superlativos, premissas, embalados cuidadosamente com o fumos da própria humanidade, os quais, mantenho afastados da alcova de meus pensamentos, cândidos e poéticos, tão limpos quanto minha própria visão da vida, sem parâmetros ou nomes científicos, elaborados para coisas mais comuns desses dias.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Além do mero DNA


A cada dia acredito mais eu seja a pura e simples mistura heterogenia entre o Seu Ismael e Dona Ana. Por exemplo, é indelével negar como, meu comportamental, seja ele, tenha [quase] os mesmos gostos, os mesmos sonhos, as mesmas perspectivas e ate o mesmo sangue, uma compreensão e uma confiança sem igual, coisa que vai além de um sobrenome peculiar, ou do fato de ser sua única filha. Já da mãe, devo ter herdado um pouco da sina por escrever, essa mania boba de querer abraçar o mundo - e por fim – aquelas características físicas, que qualquer um mero estranho da rua, pode classificar até como fiel cópia: o mesmo sorriso, o mesmo formato dos olhos, talvez não a cor, mais o mesmo formato, aquele pequeno defeito na orelha esquerda[ amassada, por permanecer tanto tempo escorada na parede de sua barriga, afinal, convenhamos, quase 9 messes de puro tédio e solidão, eu queria o mundo, e depois de horas em trabalho de parto ela me deu ], o jeito delicado das mãos a eloqüência na fala e ainda tantas outras características, as quais, ainda desconheço, mas exibo com grande satisfação.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011