domingo, 30 de janeiro de 2011

Vaidade ancestral


Eu e minha mania de maquiagem, pesada, suave, clara, escura, e sempre. Não pensem que se trata de uma maneira de esconder o rosto, cultivar uma mascara. Mas sim, uma forma de suavizar as marcas do tempo e, é claro, destacar as melhores partes de mim – revelando por fim, minha real identidade, sim! – percebida nas minhas palavras, nos meus atos e principalmente em meus olhos, nessa mistura de menina e [temo dizer] adulta. Devo deixar explicito [que no sentido mais positivo e subjetivo da palavra] nem um pouco pragmática e encharcada dos velhos venenos que assolam a humanidade. Somente eu, simbolizada numa tela viva, cuidadosamente alinhada por um tantinho base e batom.


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Bonequices






A menina de bolsa laranja atrasada pelo jornalismo está psicologicamente consumida por seu perfume inebriante. Posso assegurar que, em certos instantes quando a saudade me abala, ouço-te sussurrando certas bobagens em meu ouvido. Assim ouso pintar nas paredes[ brancas ]suas marcas.

Mesmo tão longe, agradeço, agradeço por falarmos o mesmo idioma, vivermos no mesmo país, não apresentamos sonhos tão discrepantes. Pois mesmo com sotaques distintos, concordamos em aproximadamente tudo, política, religião, quase sobre musica e quem sabe um dia sobre futebol, se você - é claro - jurar mais esse segredo.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Entre versos


Prove flores, use goles. Largue os saltos, viva os locos. Desfrute de uma proteção superior. Use palavras em parênteses, admita, ou melhor ouça, mas não renda-se totalmente a distração. Pelas as causas secretas, pactos de silencio eterno. Guerras e afagos.
Viva os frentistas, os garçons empreendedores, balconistas de fast food, agentes funerários e seguranças noturnos. Os calos não são mais doloridos e sim afetuosos e nomeados, as chamadas viram bordões e as fugidas com o circo um sonho distante. Engenheiros não prestam para nada, assim como aspirantes à jornalista.
Apesar das ofertas monetárias de investimentos em humanos, vida segue com tom de despedida e boas vindas, a saudade é polarizada em sentimento, o arroz vai ficando suave, pois já é doce e sua porção cresce cada vez mais, esperando que sua papa se forme e os grãos se aproximem de tal forma que nunca mais haverá separação.

Ana Luiza de Oliveira Paz e Leonardo Lopes dos Santos.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Capítulos iniciais


[Antes de minhas palavras tradicionalmente circustanciais, gostaria de apresentar meus profundos agradecimentos pelo numero de 1000 vizualizações atingidas. É realmente mágico ver minhas palavrinhas viajarem tanto. Obgrigado meus amados arrozdoceiros. ]

Em meio a essa poesia respirada, palpada, vivo. Acho que foram aqueles graos de areia, aquelas entrevistas repentinas, aquelas escaladas nas pedras, em busca do céu. E, em meio, a abraços e afagos os dias parecem voar. Tenho apresentado certos sintomas: palpitações, risos bobos - acredito que sejam sintomas de felicidade. Acho que, depois de logos anos, descobri seu real sentido e confesso meu vicio por ela. Aliás, confesso tudo o que desejarem que eu confesse, confesso tudo que negei, tudo que nunca falei. Espelho em meus olhos esverdiadamente intensos minha grave doença, e se for assim, desejo que não tenha cura.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Menina



E me responda quem foram os poetas? Pessoas equilibradas? Impassíveis a erros? Puros de almas? Exemplos de conduta? Julgo – com pesar – afirmar que não. De certo, foram figuras incompreendidas, tachadas de loucos, inconsequentes, tênues. Às vezes me pergunto, baixinho pra ninguém ouvir “ô menina perdeste o senso?”, é engraçado, mas sempre me respondo que não. O senso e eu somos grandes amigos, mistura quimicamente heterogênea, como água e óleo, mas de certo, um dia, teremos um só aspecto. Prometo crescer de corpo e alma, coração, vida. Prometo. Juro solenemente, pelo o que eu levo no peito, por tudo que eu levo no peito. Vou largar minhas fragilidades da infância e me tornar, de uma vez por todas, digna de tudo isso.