sábado, 24 de julho de 2010

Um dia de marasmo



É meus fieis leitores, a vida de uma futura jornalista nordestina não é tão poética quanto parece. Horas “jogadas aos porcos” na infinda ponte terrestre Natal - Currais Novos, horas suportando a aulas de matemática, horas ouvindo teses de gente que não tem nem maturidade pra amarrar os próprios tênis. Ai o ponto impulsionador de minhas criticas. Acho que essa minha queixa não é a única na face terra, em algum lugar por esse mundo redondo, deve existir alguém que amadureceu bem mais além que as pessoas ao seu entorno e agora sente a acidez desse processo, desconhecendo alguém que o compreenda plenamente. Que tenha fundamentado para discernir qual assunto seja melhor a se conversar informalmente: a ultima da cor que pintou as unhas ou a especulação financeira da republica velha? É, assumo que num é a coisa mais interessante a se discutir, mas é conhecimento. E num acredito que ainda haja gente que num aprecie tal valor. Confesso-me uma evolvida pela a arte de aprender, por livros, já que a vida não me permite observar a realidade.

Ana Luiza Paz

A moça, parte II



Depois de uma noite de sono profundo, sem qualquer lembrança de sonhos, a moça, abriu os olhos e notou, em tal instante, que sua consciência havia regressado e com ela todas as suas angustias. Como toda infeliz jovem ela tinha de ir à escola, assim ela levantou-se da cama e encaminhou-se aos seus preparativos pré-aula. Pronta, pegou seus cadernos e iniciou sua exaustiva caminhada. Andou, percorreu a longa rua com passos mais curtos, como se buscasse naquela caminhada, tempo, para remeter-se a si. Numa breve reflexão matinal, ela não chegou a conclusões acatadas. E seus passos lentos acabaram na porta de uma fria sala de aula, lá seus problemas não eram tão problemas, talvez pelo brocardo do conhecimento pudesse lhe apresentar alguma formula matemática que a aplicada a sua vivência, resultasse numa palpável solução. Depois de horas ali, o sinal soou, e a moça estava livre para voltar aos seus pensamentos, neles sinais de amadurecimento, frutos do tempo(uma única noite).

- Detesto minhas malditas opiniões, conceitos reforçados por pensamentos repetidos, detesto sempre essa forma gessada de resolver as coisas, abomino aquela certeza, tão característica dos desnorteados. Eu só queria respostas, respostas do que escrevi, do que falei, do que li, do que ouvi, bem...do que senti.

Quanta amplitude, nas palavras daquela moça. Indicando certa patologia emocional, ou algo do tipo, ela da continuidade em seu desabafo pessoal.

- Talvez minha declaração ideal esteja no veneno que me fora aplicado: o silêncio.

Ana Luiza Paz

domingo, 18 de julho de 2010

A moça



- Por que passos tão lentos, vagarosos ? Por que tantas pistas deixadas por cada espaço percorrido, como se fosse uma forma de manter seu legado permanentemente vivo? Por que tantas palavras repetidas, repetidas, repetidas em meio a um silêncio tão incomum? Por que tanto poder em uma comum existência humana? Por que tanto desejo de ser, de fazer? Por que tamanha complexidade em um único quadro branco? Por que tantos murros rodeando seu castelo? Por que esse eterno crachá, com letras garrafais descriminando, aquela palavrinha bola, mas que tanto me perturba: “decifrar”? Por que aquela janela permanentemente fechada? Por tanta falta de aceitação em uma coisa que é indelével? Por que tantos “por quês” ? Por que tanta burocracia desnecessária?

Perguntava-se a moça naquela tarde cinza, com um ar de desespero bem camuflado em poros obstruídos de maquiagem escura. Aquelas não erram suas palavras, eram seus pensamentos, apenas seus pensamentos secretos, revelados somente a sua própria mente. E ela continua.

- Eu honestamente, com a minha vaga (porém relevante) experiência de viva, não encontro possíveis respostas, talvez um dia elas me sejam enviadas num bonito envelope azul, com remetente: “Futuro”. Esperar, esperar é a única opção que tenho no momento.

A partir de tais conclusões, a moça pode aclamar seu coração derretido. Ela não tinha muitas coisas que a fizessem mais feliz naquele momento, talvez tivesse sim – a si própria- e apenas aquilo fosse, momentaneamente, o suficiente para seu parcial estado de inércia. E assim ela se distraiu com o barulho da TV e dormiu. Durma menina, adie!

Ana Luiza Paz

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Modelo A



Depois daquela tarde do aniversário de Laize, na qual eu tive que ir de casa ate a casa de Luna de moto, descobri como a vida de motoqueiro é triste. Bancos desconfortáveis, exposição total a chuva, sol, frio e calor. E por isso eu fiquei tão comovida que pensei em me tornar a madrinha da causa e reivindicar junto às montadoras providencias para essas observações. Mais logo após essa revolta(breve), cheguei à conclusão de que era bem pra melhor pra mim continuar quieta e anônima. Daí eu lembrei as aulas de geografia, Mestre PT, do inicio da industrialização. E fui à caça no meio do “Pico do Totoró”, perdoe-me a comparação, de livros da minha mãe, neles encontrei um falava justamente em Henry Ford – eu particularmente, já tinha leituras na área do Fordismo, as quais me forçavam apenas a enxergar o cara como o primeiro empresário a aplicar a montagem em série - mas depois que eu abri aquele livro e tomei nota de seu conteúdo, parei de relacionar Ford a figura de um capitalista fútil, que pensava apenas em fazer dinheiro.
Acreditem, caros leitores, ele foi bem mais do que isso. O pai do modelo “T” era um homem de muitos sonhos e de bastante conhecimento para torná-los realidade, acreditava nos seus próprios ideais e principalmente em seus próprios gostos: "O cliente pode ter o carro da cor que quiser, contanto que seja preto". (confesso que me identifiquei com essa declaração :D). Mais como um célebre homem de negócios também redeu-se ao gosto de seus consumidores e começou disponibilizar produtos em outras cores, nas quais estavam compreendidas o vermelho, para a felicidade de Mainha e Painho.

Ana Luiza Paz

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Tédio, esse é meu drama



Vivendo em meio a tantas coisas somos forçados pelo universo a crescer mais rápido. Ele espera quase tudo de você, beleza, maturidade, talento. Meio que impõe os ingredientes que deverão compor a sua nova vida. E daí você os usa, de maneira tão perfeita que ate mesmo você acredita que fez a melhor coisa. Com o passar dos dias os efeitos dessas escolhas vão desabrochar em seu corpo e principalmente na sua mente. É incrível, o poder do veneno da maturidade, e principalmente o poder de seus efeitos colaterais. Aquelas coisas que lhe davam tanta felicidade hoje representam apenas uma prosaica perda de tempo, uns chamam de chatice, eu chamo de tédio, por falta de algum embasamento cientifico sobre assunto.
Dizem que contra fatos não há argumentos, em função disso, um dialogo entre a vítima do drama e sua adorável avó:

- Gostou da festa, Ana Luiza?
- Não, Vlinvlinha, aquele dia foi um total desperdício de maquiagem.

Questiono-me se pretendo permanecer assim pelo o resto da vida.
E ainda, para meu caos talvez ele já me deixe viver em paz, ê tédio safado, que tende a me desequilibrar, que me serve de inspiração para escrever ate tão tarde da noite, que me faz de escrava e me encoraja a descarregar em pobres palavras, letras, pontos sem sentido e culpa.

Ana Luiza Paz

terça-feira, 6 de julho de 2010

...



Confesso, é bem mais inspirador escrever em guardanapos, porém nesse momento essa ferramenta não está ao meu alcance. Então desfrutando de um momento de parcial saturação mental descarrego nessa pobre página virtual meus sinceros desejos de destruição. A inércia de me manter escrevendo vai me deixar mais tranqüila. Porque a questão aqui não é bem “vida pessoal”, é algo bem mais objetivo do que se parece, tipo assim: primeiro você nasce, tira trilhões de fotos, sorrir, anda, chora...e do nada já tem 3 anos e seus pais te jogam numa escola(mais precisamente numa sala de aula) com criaturas bem mais estranhas que você, que babam e tem pensamentos e desenhos estranhos. Passada essa fase você começa a escrever seu nome e assim se diferencia do resto dos animais, tornando-se racional. O ensino fundamental, meu Deus, que fase linda, seus dentes caem, você vira um superdotado e aprende a dividir. Acredite e aproveite, depois disso a matemática nunca mais ira se encaixar com tal facilidade em sua mente. Doido! O ensino médio, nessa época você é simplesmente o Maximo, já tem Orkut, né? E ai minha desgraça, o pré-vestibular? Mais já? Tava tão bom, agora na minha pobre mente existe um misto de vontade de gastar horas estudando, juntamente com a vontade de cozinhar sua vida em uma grande panela e bebe – lá pra ver se ela me dá uma luz, ou qualque tipo de solução. Espero ansiosamente que um dia todos os meus desejos tornencem realidade, enquanto isso eu sonho em passar nessa merda de vestibular.

Por fim, deixo uma frase para reflexão:

...sabe de uma coisa, num vou deixar não !

Tediosamente,

Ana Luiza Paz

domingo, 4 de julho de 2010

Feeling





Recordo-me que quando criança, ao ser questionada sobre um futuro ofício, respondia simplesmente: “princesa” . Hoje, há tempos estou vivendo outros sonhos impossíveis: me apaixonei por um cara meio complicado, o jornalismo, e me falaram que se eu realmente quisesse “viver feliz pra sempre” ao lado dele devia estar ciente dos ardores e amores que ele podia me proporcionar. Nem eu sei direito como tudo isso começou, talvez na infância, pois adorava um microfone, fazer redações. Lembro que eu sempre gostei de efetuar todos os trabalhos propostos pelos professores em forma de telejornal, até que um dia eu me vi envolvida pela a coisa e apresentando em fim um programa real. A priori o nervosismo e medo tomaram conta de mim, como acontece a qualquer novato, mais naturalmente fui sendo neutralizada e reconhecida por um talento que eu mesma nunca havia reconhecido. Uma linda história de amor. Aí, aos 17 anos completos, surge na minha vida um vilão – bem acostumado a amedrontar jovens da minha idade – O VESTIBULAR , e com eles sérios conflitos de identidade, questionamentos sobre o que realmente vale a pena dedicar tempo, sobre o que realmente vale a pena ser ou amar, em virtude disso, pedi um tempo ao jornalismo, embora sinta sua falta. Afinal, ainda tenho uma parte que acredita em finais felizes e outra que não sabe bem o quer, talvez eu seja alguém que ainda tenha que amadurecer muito para fazer escolhas sérias.
Ana Luiza Paz