domingo, 29 de junho de 2014

Vontade

A você ofereço meu melhor pedaço e um café amargo acompanhado de torradas. Um beijo apaixonado e a promessa de toda uma vida juntos. Mais uma taça de vinho e mil afagos. Outro longo telefonema planejando o futuro. Uma briguinha ou outra para nos testar. Uma oração para espantar a velha saudade que nós atormenta e para viver da segurança de tanto amor. Um sentimento que nós permite seguir fortes até que logo não haja mais separação. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Antídoto

   Felicidade era coisa que podia virar remédio, vendido em farmácia, de preferência sem receita médica e tomado três vezes ao dia. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Mais próxima dos mortais


Esses dias me perguntaram ingenuamente se eu já tinha cultivado algum inimigo na vida. Como quase nunca nego respostas, respondi: que sim e que muitos. O que de certa maneira despertou surpresa (afinal não tenho nem tenho tanta vida assim) e, antes que surgisse a curiosidade de saber de quem se tratavam os tais oponentes, já fui logo falando: - Meus pensamentos, ora! Eles nunca concordam comigo, mas estão sempre por perto, agarrados ao teto, ou espalhados pelo chão, esperando para me devorar, com tanta força que nem penso em conte-los. 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Conforto

           
         Quando o desespero insiste em me atormentar, lá vou eu perturbar Clarice nas madrugadas em busca de conforto, afinal já a tenho como alguém da família, uma amiga, ou quem sabe como uma avó (mas é claro, que as minhas três verdadeiras não precisam exalar ciúme, tenho carinho suficiente para todas). Afinal de contas eu e a ucraniana somos tão parecidas, que como ela mesma diz: a gente escreve como quem ama.
        Esses dias devorando seus escritos encontrei um incentivo que faltava sossegar um pouco a cabeça, organizar as idéias trituradas dentro de um coração cheio de desgosto e mágoas. Ela explicou que ‘a felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre’. Depois desse alento, rezo para que a poeta tenha mais uma vez razão e tudo se molde para melhor.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Causa


A vida lhe nunca lhe cobrou muito, e quem sabe por esse motivo que você tenha se tornado tão entediante. 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Engano


É engraçado saber que você pensa que a jovialidade lhe cultive algum tipo de gratidão, se nem mesmo aos deuses ela mediu a mão. 

domingo, 11 de dezembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Presente

Não sei se por castigo da modernidade da era, ou quem sabe efeito das altas doses de banalização que tomamos todos os dias, mas muita coisa anda equivocada. Ora vejam que, por exemplo, estudar virou coisa fora de moda, casamento agora é profissão e trabalhar é coisa de quem não tem os miolos devidamente ajustados. Além disso, os filhos andam com mais juízo que os pais. Ficou bonito pedir sempre algo em troca. A amizade e o amor já são mercadorias raras.  E a poesia sobrevive em meio a versos animalescos e totalmente desconexos da pureza original. De fato, sinais claros do fim dos tempos.   

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Guardados


Muitas importâncias quase sempre morrem antes mesmo de serem pronunciadas pelos dedos. Quem me dera só por um dia usufruir, ainda que parcialmente, da graça de escrever tudo que me vem à cabeça, rasgando todos os filtros e cordialidades.  

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Fazendo o caminho


O rapaz que nunca chutou uma bola - mas que sempre admirou a arte do futebol e que apresenta certa simpatia pelo o Botafogo - entrara a primeira vez na vida em campo para acompanhar de perto todos os lances da partida e transmiti-los aos seus ouvintes, os quais atentos acompanhavam o desabrochar do tímido Ismael a cada participação no rádio. Percebendo que o moço tinha sim talento, o seu espaço foi crescendo descontroladamente ao debulhar dos tempos. Com uma voz inconfundível e certo empenho, logo foi chamado de professor entre os iniciantes e que era hobby foi tomando cada vez mais espaço em seu coração, entretanto, cuidadosamente dividido com o oficio de eletricista e a família, a quem também sempre fora dedicado.  Em meio a tudo isso, o filho de Maria e Joaquim e ao mesmo tempo de Borrego e Adélia, cultivara o sonho, ainda não conquistado de cursar Jornalismo.  Pai de única viagem - sempre desejou um menino – entretanto, quis o destino que no lugar deste, aparece uma menina, criada com todo o zelo e amor, que herdou do pai a alcunha de Paz, e o amor exacerbado pelo o jornalismo, coisa que só Deus explica.  

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Amarga

           
            Nunca quis a solidão como amiga, sempre que pude tratei de me afastar dela, não responder seus recados, nem comparecer seus convites, no entanto, com o correr dos anos ela se fez cada vez mais presente em mim. Talvez não mais como um carrapato e um cão e, sim como um cão e seu dono. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Corte no tempo

        
              Desde criança eu e a pressa sempre fomos grandes amigas. Gastávamos tardes planejando a vida, desenhando coisas para o próximo final de semana e, desejando incansavelmente avançar casas no jogo. No colégio nos estávamos sempre juntas, contando os minutos para o fim da aula de matemática e ansiosas para a hora do intervalo.  Durante a adolescência ficamos cada vez mais próximas, loucas pelas histórias que ouvíamos sobre a maturidade.  Hoje, mas solidas, não deixamos de arquitetar os próximos passos, em nos tornarmos cada vez mais plenas e calmas – entretanto - até lá existe muita pressa pela frente

sábado, 27 de agosto de 2011

Exposta ao público

Até eu já jurava ser entendida das coisas do mundo, me vejo aos cacos, esperando qualquer forma de salvação. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Destino de mulher



    Em todas as manhãs, nada de nenhum daqueles compromissos de madame. E sem  reclamação.  Os cabelos sempre mal arrumados, as unhas por fazer, mas a roupa sempre limpa e bem dobrada nas gavetas.  Nada de trabalhar fora de casa, pois as reuniões com os pratos e o espanador devem lhe consumir boa parte de tempo. Sem falar nas viagens a negócios ao supermercado, e nas metas a cumprir na arrumação do lar.  Como se não bastasse, ao entardecer ensinar matemática aos filhos, banha-los para o jantar e ainda mantê-los sob controle.  Ao beijar da noite, finalmente a esperada hora da novela. Lá pras tantas, receber o marido e, reunir a família na sala para ouvir o boa noite do moço do jornal, quase como uma benção. Para fechar as atividades ser feminina e doce. E ainda dizem por ai que Amélia é que era a mulher de verdade, vê se pode!?

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Futilidades de mulher


Não entendo como podem questionar certas importâncias levemente superficiais do mundo feminino, a nescidade real e consumista de sempre desejar algo mais. A busca da perfeição do corpo e as brigas com o espelho. Os cremes, ceras, perfumes, secadores, escovas, batons, sapatos, vestidos que lotam nossos armários e mentes. A obsessão por combinar e, por querer sempre um novo corte de cabelo. Tudo isso por insistir em ser a cada dia um pouco mais intima da beleza, vê se pode!?

Veneno


Na maioria das vezes eu sou sempre o excesso, me faltam as medidas, os controles.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011

quinta-feira, 7 de julho de 2011

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Receita


Escrever nunca esteve nos meus planos, sempre fui de falar, de ser, mas transmitir sentimentos pro papel não me era uma prática muito habitual. Comecei por mero acaso, com pequenas frases bobas e tortas, roubas certas vezes de meu estado de espírito, que com causa e tempo foram criando rosto, corpo e, porque não dizer beleza, como qualquer moçinha que beija os anos da juventude. Subitamente – por resultado - as palavras tomaram espaço no meu armário, lugar na minha cama, cadeira ao meu lado no jantar. Doces e amargas elas são que ouso chamar de queridas, pois como complementaria a sublime Clarisse ás vezes só uma linha é suficiente para salvar um coração. Coração um tanto antigo, mas ainda em sua embalagem original, adquirido por um jovem rapaz de fala diferente, que lhe deu um generoso prato de Arroz Doce e as honras de boneca. De lá pra cá os dias nunca foram iguais, ando aprendendo o oficio de jornalista, mas nunca deixei de sentir o suave perfume da poesia, que de tão forte às vezes me rouba o sono e só me deixa descansar depois de cada publicação. Diante de minhas criações caóticas, devo me confessar uma jovem de bastante sorte por ter sido agraciada com essa tímida facilidade de agrupar palavras. Desenvolvida, acredito eu, que nos anos inicias, quando certa aspirante a doutora, pausava seus inçáveis estudos para me ler textos de Cecília ou quando um jornalista fantasiado de pedagogo me fazia brincar de informar.


terça-feira, 28 de junho de 2011

Grandeza


Baixei um pouco meu volume, apaguei minha fraca luz e esses dias dei pra reparar no relógio, ou melhor no passar o tempo. Ansiosa assumida, nunca tive muita paciência. Fui um tanto precoce e ainda sou retardatária para muitas coisas. Quero sim que os anos passem um pouco mais depressa, mas desejo com todas as minhas forças que meus prazos sejam um pouco mais longos. O problema da vez não sou eu, sabe? Sempre respeitei meu próprio tempo, mas o danado do tempo tem mania de querer ser grande e eu ainda não posso alcançar seus altos e fortes ponteiros.


sábado, 4 de junho de 2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Egoísta


Acho que sou egoísta em achar bem mais bonito usar o nós do que o eu, afinal nem tudo mundo pensa assim, né?